"Vou andando por ai

Sobrevivendo á bebedeira e ao comprimido

Vou dizendo sim á engrenagem

E ando muito deprimido

É difícil encontrar quem o não esteja

Quando o sistema nos consome e aleija

Trincamos sempre o caroço

Mas já não saboreamos a cereja

Já houve tempos em que eu

Tinha tudo não tendo quase nada

Quando dormia ao relento

Ouvindo o vento beijar a geada

Fazia o meu manjar com pão e uva

Fazia o meu caminho ao sol ou á chuva

Ao encontro da mão miúda

Que me assentava como uma luva

Se ainda me queres vender

Se ainda me queres negociar

Isso já pouco me interessa

Perdemos o gosto de viver

Eu a obedecer e tu a mandar

na mesma triste peça

á espera do fim

...
temos em comum o facto de ambos vermos

A vida por um canudo

Invertemos a ordem dos factores

Pusemos números á frente de amores

E vemos sempre a preto e branco o programa

Que afinal é a cores"

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